Formas - Escultura


Bodisatva - Escultura Song
Embora ao longo de toda a sua história a arte chinesa tenha produzido esculturas de grande qualidade nos mais diversos materiais e tamanhos, estas, tal como a arquitetura, nunca foram consideradas como verdadeiras obras artísticas, fruto de um gênio criativo.

As mais antigas manifestações escultóricas na China remontam à Idade do Bronze, época em que se realizaram pequenas peças de uso ritual. Foi, no entanto, mais tarde, durante a Dinastia Qin, que a escultura ampliou as suas funções com o inicio do fabrico de figuras de argila com uma clara finalidade funerária, cujos mais espetaculares exemplos se encontram no conjunto funerário do imperador chinês Qinshi Huangdi, nas proximidades de Xian. Homem de empreendimentos ambiciosos, o que foi o primeiro soberano do Império Celeste, mandou construir um mausoléu monumental composto por túmulo imperial, situado sob o monte Li, vários templos, edifícios de caráter oficial e um recinto com quatro fossos que albergavam um exército com milhares de soldados de terracota de tamanho natural, com carros de combate e cavalos, cuja missão era acompanhar e defender o imperador durante toda a eternidade. Estas esculturas mostram uma manufatura cuidada e um realismo e naturalismo sem precedentes, que era aumentado pelo uso da policromia. Os soldados, besteiros, arqueiros e infantes pertencentes a várias classes, podem ser identificados pela sua indumentária e penteado. Os seus rostos são todos diferentes por terem sido realizados individualmente.

Este importante conjunto escultórico iniciou uma tradição de esculturas funerárias que se manteve durante toda a história do Império. Assim, durante as Dinastias Han, Sui e Tang, produziram-se pequenas estatuetas de argila, denominadas mingqi (objetos resplandecentes) que faziam parte do mobiliário funerário do interior das sepulturas e cuja função era acompanhar o morto e proporcionar-lhe, no Além, todas as coisas a que estava acostumado na sua vida terrena. Trata-se de figuras humanas muito distintas, de animais e de diversos objetos de Estatueta de cerâmica em enorme qualidade e encanto, que constituem uma fonte extraordinária para o conhecimento da vida quotidiana do passado. A par deste singular tipo de esculturas, realizaram-se outras, também ligadas a usos funerários, mas situadas no exterior das sepulturas, cujo destino era sinalizar o local de enterro e exercer funções de guarda, homenagem e defesa do mesmo. São figuras de animais (elefantes, camelos, cavalos, leões, etc.) e de pessoas de diferentes classes sociais, executadas em pedra e de tamanho considerável, que ladeavam as avenidas que conduziam aos complexos funerários. Os mais antigos testemunhos deste tipo de esculturas remontam ao período Han. As mais famosas e espetaculares figuras localizam-se nalgumas sepulturas da Dinastia Tang e da Dinastia Ming.

Também há que mencionar a escultura de caráter religioso. O seu desenvolvimento na China deu-se pela mão da introdução do Budismo e os seus exemplos mais importantes encontram-se ligados aos templos budistas escavados em rochas construídos ao longo do período dos Três Reinos e Seis Dinastias, e das Dinastias Sui e Tang, tais como os conjuntos de Yungang e Longmen. No entanto, na mesma época podem-se encontrar esculturas isentas, alheias a estes templos, realizadas em bronze ou laca seca, que também têm um enorme interesse. Tanto num caso como no outro, as esculturas são imagens de devoção destinadas ao culto budista (principalmente Budas), representadas de acordo com as iconografias e regras criadas no lugar de origem do Budismo, a Índia. Do ponto de vista formal também apresentam evidentes dívidas para com a imaginária Índia, embora se possam apreciar algumas notas mencionam como a adoção das imagens de traços étnicos chineses. O Taoísmo e o Confucionismo também geraram esculturas de caráter religioso, mas em menor medida que o Budismo.

E. Baguena