Formas - Jade e Bronze





Exemplar de escultura em Jade


O Jade ou a nefrite (silicato de cálcio e magnésio), cujo uso remonta ao V milênio a. C. é um dos materiais queridos e valorizados pelos chineses, tanto pela sua singuIar dureza, textura, matizado, transparência, brilho, cor (castanho, acre e verde, cinzento ou branco azula- muito profundos), sonoridade e suavidade de tacto, como pelas notáveis dificuldades que a sua técnica de trabalho implicava. Foi por estas características que, desde o início da sua utilização, se lhe atribuiu um valor sobrenatural e mágico e se dotou de um conteúdo simbólico muito profundo que girava em redor dos conceitos de pureza, poder e imortalidade.

Já desde o Neolítico e durante a Idade do Bronze (Dinastias Shang e Zhou), o jade era utilizado na elaboração de objetos rituais e religiosos, e no fabrico de peças de caráter ornamental. Entre os primeiros destacam-se os chamados bi e cong. Os bi são anéis ou discos, sem nenhuma ornamentação, associados, pela sua forma circular, ao céu ou à esfera celestial. Aparentemente, eram utilizados como meios de comunicação nas litanias e acompanhavam o morto na imortalidade. Os cong estavam ligados aos anteriores e, de fato, apareciam juntos nos túmulos funerários. Eram objetos tubulares, ornamentados com incisões, de cavidade circular e secção quadrada que os associava ao culto da Terra. Quanto aos objetos ornamentais, distingue-se uma série de pequenas figuras, cuja produção foi muito abundante durante a Dinastia Shang, que representam, de modo realista, animais mitológicos ou reais.

A produção de peças de jade foi notável no período Han; no entanto, ao longo das sucessivas dinastias, os objetos de jade foram muito escassos, provavelmente devido à falta de matéria-prima. Estes objetos continuaram, no entanto, a ser símbolos de poder, relacionando-se sempre com o imperador e a família imperial. Dos exemplos mais tardios são relevantes algumas obras das Dinastias Ming e Qing pelo virtuosismo da sua execução e o seu caráter hiperdecorativo.



Vaso de Bronze Shang
Por sua vez, o bronze, mistura de cobre e estanho, à qual os chineses acrescentavam certas quantidades de chumbo, foi conhecido na China desde o século XVII a.C. Durante as Dinastias Shang e Zhou, foi a matéria-prima do fabrico de uma série de recipientes muito interessantes, empregados para realizar oferendas de bebidas e alimentos aos espíritos dos antepassados. Estes objetos foram executados, com grande cuidado e perfeição, através de dois processos: ou utilizando moldes de cerâmica nos quais se deitava a fundição de bronze, ou por meio de uma técnica denominada de «cera perdida». Os bronzes rituais foram classificados pelos seus diferentes usos rituais e apresentam desenhos muito diversificados. Assim, distinguem-se os recipientes destinados a cozinhar, servir e conservar alimentos, os destinados a conter e aquecer bebidas fermentadas e os que serviam para conter água.

De volumes simples e robustos, a superfície destes objetos encontrava-se coberta de uma rica decoração (incisa, em baixo ou alto-relevo) com evidente valor simbólico ligado aos rituais funerários, consistentes em motivos geométricos e helicodias e em representações de animais reais e mitológicos, fascinantes e misteriosos, como o dragão e o tao tie (ou "monstro glutão"), enigmática figura zoomórfica ou mascara, não identificada com animal algum, com olhos salientes, orelhas, boca, mandíbula superior feroz, cornos e garras.

A decoração dos recipientes foi evoluindo ao longo da idade do bronze. Nos recipientes Shang a ornamentação, de grande força expressiva, era extremamente barroca, sobrecarregada e prolongava-se sem deixar nenhum espaço livre. Na dinastia Zhou, no entanto, preferiu-se a ordem decorativa, um menor matizado e a representação do principal motivo decorativo sobre um fundo liso. Nesta última época, também foram muito freqüentes os recipientes de desenhos zoomórficos.

Durante a Dinastia dos Han continuaram-se a fabricar objetos de bronze, mas estes perderam o seu valor ritual para se transformarem em peças associadas ao mobiliário funerário e a símbolos de nível social. Abandonados os seus usos rituais e funerários, a partir da introdução do Budismo na China, este material passou a ser utilizado para criar esculturas do panteão budista. No entanto, o bronze continuou a exercer sobre o povo chinês um fascínio especial e relacionou-se sempre com o poder.

por E. Baguena