História - China, Mãe das Culturas do Extremo Oriente

A expressão “Extremo Oriente” utiliza-se para denominar uma área geográfica muito concreta que, situada no extremo Este da Ásia, oferece uma unidade cultural com personalidade própria, claramente distinguível de outras regiões do continente como o subcontinente indiano, os chamados países do Himalaia e o sudeste asiático. Esta área é a que compreende os atuais países da China, Coréia e Japão (alguns autores também incluem o Vietnam), países estes que têm profundos laços de parentesco, determinados pelo papel matriz desempenhado pela China, civilização que, pelo seu precoce e espetacular desenvolvimento, definiu as bases culturais das restantes nações.

A superioridade da civilização chinesa, uma das mais antigas e brilhantes do mundo, é inegável. Nascida das culturas neolíticas, desenvolvidas entre os anos 7000 e 1500 a.C., na foz do rio Amarelo e na zona costeira do sul do país, entrou na história no período da Dinastia dos Shang (1500-1050 a. C.), a primeira da qual se conservam testemunhos escritos, e forjou o seu caráter no período denominado Dinastia Zhou (1050-221 a. C.), época em que Confúcio e Laozi (ou Lao Zi), mentores respectiva- mente do Confucionismo e do Taoísmo, formularam os princípios éticos e políticos que sustentaram durante mais de vinte séculos a organização social e política da China. Transformada em império Unificado desde 221 a.C., manteve esta condição (à exceção de breves períodos de fragmentação política como o chamado período dos Três Reinos e Seis Dinastias -220-581- e o denominado das Cinco Dinastias - 907-960) até 1911, ano da proclamação da República que implicou a entrada da China num mundo completamente diferente. Neste longo espaço de tempo, foi governada por centenas de imperadores pertencentes a diferentes dinastias, cujos nomes serviram para denominar distintas fases ou períodos da história da China. Entre elas destacam-se a Dinastia Qin (221-206 a.C.), fundada pelo primeiro imperador chinês Qinshi Huangdi, que assentou as bases do Império; a Dinastia Han (206 a.C. a - 220 d.C.), que criou uma complexa burocracia para a administração do estado: a breve Dinastia Sui (581-618); a grande Dinastia Tang (618-907), extrovertida e cosmopolita e uma das mais importantes da história do Império; a Dinastia Song (960-1279), mística e introvertida, que deu notáveis frutos artísticos e avanços científicos; a Dinastia Yuan (1277-1368), de origem mongol, fundada por Kublai Kan, neto de Gengis Kan; a Dinastia Ming (1368-1644) de caráter nacionalista e de florescente vida cultural; e a Dinastia Qing (1644 - 1911), de ascendência manchu com a qual o Império alcançou a sua mais ampla extensão territorial. Desta expansão podem dar uma idéia as dimensões da atual China com os seus 9.536.499 quilômetros quadrados.

Esta enorme superfície, que oferece grandes variedades regionais e acolhe diferentes raças, é atravessada por três grandes rios que correm de Oeste para Este: o rio Amarelo, o rio Azul e o rio Vermelho, e é delimitada por uma série de barreiras naturais que fomentaram o seu isolamento: as estepes da Mongólia e o deserto Gobi a norte, as mesetas do Tibete e os maciços montanhosos de Yunnnan e Sichuan a oeste e o Mar do Japão e da China a este e a sul.
Durante esta dilatada trajetória histórica, a China conseguiu grandes avanços culturais. Do ponto de vista político, chama a atenção a complexidade alcançada pela organização e administração do seu estado imperial, a cargo de uma eficiente burocracia, cujos membros eram contratados através de exames extremamente difíceis. Foi conhecedora desde tempos remotos (Dinastia Shang) de uma escrita de caráter iconográfico, que foi um elemento fundamental de coesão e unidade da sua cultura e meio de expressão artística (a caligrafia). No seio da China nasceram sistemas filosóficos e religiosos da profundidade do Confucionismo e do Taoísmo, para citarmos os mais importantes. Ali cultivou-se, desde o século I da nossa era, o Budismo de origem indiana e enriqueceram-se seitas budistas tão importantes como a Chan (Zen).

Também conheceu um notável desenvolvimento científico e técnico; a China destacou-se nos campos da matemática, medicina e farmacologia, e no seu território fizeram-se, antes que na Europa, inventos tão importantes como a pólvora, o papel, a imprensa de tipos móveis, a bússola de navegação, o sismógrafo, o leme dos barcos, etc. A sua grandiosidade teve um reflexo mais vivo no mundo das artes. Criadora de diversas técnicas artísticas, sobretudo da seda e da porcelana, concedeu à História Universal as mais belas peças de jade e bronze, as mais delicadas cerâmicas, lacas e tecidos de seda, as mais essenciais paisagens a tinta, as mais expressivas caligrafias e as mais impressionantes obras de arquitetura.

por E. Baguena